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Como argumentar com seu chefe?

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Em tempos de estresse, alta irritabilidade e outros fatores que deixam as pessoas mais irritadas neste período, os problemas de relacionamento nas empresas também crescem. Geralmente são potencializados quando o chefe e o colaborador não têm um relacionamento saudável e não sabem expor suas ideias, argumentar e manter um padrão de comportamento.

Ter uma boa inteligência emocional nessas horas é muito importante, assim como ter algumas habilidades comportamentais, para que o ato de argumentar não seja uma guerra em toda a reunião, definição de metas ou novos projetos.

Como trabalhar o “não” nos argumentos?


O que vamos trabalhar neste artigo é como dizer o “não” a uma ideia ou ponto de vista, sem parecer discordar porque simplesmente não quer fazer isso ou aquilo (por preguiça por exemplo), e sim porque, de fato, tem outro ponto de vista e quer argumentar e mostrar sua posição sobre a questão. Nem sempre é uma tarefa fácil. Por isso vamos te ajudar com algumas dicas!

Dentro de um ambiente corporativo, saber como e quando dizer o “não”, especialmente à sua liderança, pode ser mais complexo. Mas também pode ser uma ótima oportunidade para observar e aprender como nos posicionamos e nos comunicamos. Existem quatro pontos a serem observados para que um “não” possa ser bem colocado:

  • Argumentação bem estruturada;

  • Adequação do estilo de comunicação ao de quem você está respondendo;

  • Sensibilidade ao momento;

  • Observação do contexto;


Todos esses pontos são aplicáveis às questões que têm como objeto da discussão um tema que não afeta nenhum princípio ético, moral ou de desrespeito profissional. Nas questões desta natureza, o melhor caminho é a conversa clara, com evidências, seja diretamente ao seu líder ou, a depender da questão, ao canal apropriado da empresa.

Por mais delicada que seja a questão, o executivo precisa ter em conta que neste caso (e somente neste), o “não” é na verdade um “sim” para uma carreira transparente e acertada. Seja para um profissional em início de carreira ou para um executivo que integra a liderança sênior ou conselho de uma corporação, os quatro pontos são sempre válidos.

Obviamente, quanto mais complexo um projeto, maior capacidade se espera de quem o lidera, e quanto maior a estatura executiva de quem fala e ouve o “não”, maior consistência se espera da resposta.

Para argumentar: fatos primeiro, opinião depois!


Você tem direito à sua opinião. Mas você não tem direito aos seus próprios fatos”, frase atribuída a dois políticos americanos, Daniel Patrick Moynihan e James Rodney Schlesinger, que serviram aos governos de John Kenedy, Richard Nixon e Gerald Ford, nos Estados Unidos da América.

Como civilização, é inegável que passamos por um período de polarização de opiniões, distorção de notícias, e o mundo corporativo não está alheio a sociedade de sua época. Ainda que os fatos estejam baseados na sua experiência executiva pregressa, estes precisam ser claros e desvencilhados de sua opinião. A opinião será baseada nos fatos, mas não será um deles. Lembre-se sempre disso quando for argumentar algo.

Bons argumentos não substituem a assertividade


Uma resposta negativa deve ser objetiva. Um dos maiores erros de executivos é construir argumentos tecnicamente robustos e cheios de pompa, mas com uma didática fraca, por vezes, por uma explicação extensa, ou seja, fala, fala, fala, e não fala nada.

Quanto maior a responsabilidade executiva, maior a pressão e menor o tempo. Então, seu líder direto (gerente, diretor, CEO, conselho) precisa de um “não” claro e rápido. Mas, como dizer não, com brevidade, conseguir argumentar e cativar a atenção? Duas dicas:

  • Conheça seu interlocutor e ajuste sua explicação ao estilo: se coloque no lugar de quem te ouve. Se não é alguém tão próximo de você, informe-se com alguém próximo e que conheça este líder;

  • Seja você: se adaptar ao estilo do ouvinte não te isentará da sua responsabilidade;

Uma ótima ideia num momento ruim pode ser uma ideia ruim!


Geralmente quando pensamos no momento correto no mundo corporativo, pensamos em oportunidades: o lançamento de um produto, uma fusão a abertura de capital, etc. Contudo, grandes líderes também são aqueles que têm sensibilidade nos momentos desfavoráveis, é necessária a mesma sensibilidade para dizer o “não”, principalmente em questões-chave: não expandir, não comprar, não aumentar a produtividade.

Esta sensibilidade, embora seja mais natural para alguns, tem de ser praticada e o melhor jeito é estar presente e perto do negócio ou projeto à medida que é criado. Boa parte das vezes nas quais dizemos não, lidamos com o impacto negativo de uma expectativa que foi construída.

É mais complexo um executivo dizer não para uma ideia que conhece pouco ou que se formou com bases incorretas enquanto ele estava ausente.

Tão importante quanto o “sim” é saber argumentar o “não” quando necessário


No mundo corporativo, às vezes, esquecemos de ensinamentos simples, mas valiosos da vida comum, pela nossa ansiedade em nos posicionarmos, entregar mais, mostrar nosso compromisso, e por aí vai. Quando crianças ouvíamos uma frase que geralmente repetimos aos nossos filhos: “hoje não, mas vou pensar a respeito”.

Essa frase aplicada na relação entre pais e filhos, pode ter um lugar na relação líder-liderado. Olhemos duas situações distintas:

  • O dizer o “não”, não é falta de comprometimento. Entregar além do que foi pedido, com jornadas muito além do que o esperado, sem diferença entre trabalho e vida pessoal, não é comprometimento com liderança, mas falta de comprometimento com você mesmo. Quando essa linha é atravessada, é o momento de dizer “hoje não”.

  • Um “não”, não é para sempre: se achar que deve mudar de opinião depois de já ter dito não, mude. Questione-se sempre! Mesmo tendo dito não com argumentos corretos, você percebeu que em um novo contexto sua negativa inicial deveria mudar? Diga sim. O mundo corporativo deve ser o melhor para as melhores ideias e não para opiniões imutáveis.